IP Trânsito

ASN e bloco IP no Registro.br e LACNIC: passo a passo

12/05/2026 · 7 min de leitura

Guia prático para provedores obterem um ASN e um bloco IPv4/IPv6 próprios no Brasil, do cadastro no Registro.br à alocação pelo LACNIC.

Por que ter ASN e bloco próprios

Um Sistema Autônomo (ASN) é o identificador que torna sua rede única na tabela global de roteamento BGP. Sem ASN próprio, o provedor depende de blocos e do número do upstream, fica preso a um único fornecedor e não consegue anunciar suas rotas de forma independente. Com ASN próprio, você passa a controlar sua política de roteamento, faz multihoming com dois ou mais trânsitos e ganha portabilidade real do endereçamento.

No Brasil, o LACNIC é o RIR (Regional Internet Registry) responsável pela América Latina e Caribe, e o Registro.br (NIC.br) atua como NIR, intermediando a alocação de ASN e blocos IP para organizações no país. Na prática, a maior parte dos provedores brasileiros faz todo o processo pelo Registro.br.

Pré-requisitos e documentação

O primeiro requisito é ser uma entidade com CNPJ ativo e, para operar como provedor de acesso, ter registro na Anatel como SCM (Serviço de Comunicação Multimídia). Você precisará de um contato técnico e de um contato administrativo com dados de IDs (handles) no Registro.br, além de comprovar a necessidade de numeração.

Para justificar a alocação, tenha em mãos o plano de endereçamento: número estimado de clientes, topologia da rede, equipamentos que farão BGP e os upstreams (trânsitos) contratados ou em contratação. O LACNIC exige justificativa de uso; blocos IPv4 são escassos e passam por lista de espera ou transferência, enquanto IPv6 é alocado com folga.

Passo a passo do ASN

1) Crie sua conta e os IDs de contato no Registro.br. 2) Solicite o ASN informando que você fará multihoming ou terá política de roteamento própria — esse é o critério técnico que justifica um número público. 3) Aguarde a análise; ao ser aprovado, você recebe um ASN de 32 bits (por exemplo, na faixa de quatro bilhões) pronto para uso.

Com o ASN em mãos, cadastre seus objetos no WHOIS e no IRR (Internet Routing Registry): aut-num, as-set e route/route6. Esses objetos são o que os upstreams e os participantes de IX usam para montar filtros de prefixo. Documentação de rota bem-feita é o que evita que seu anúncio seja descartado por falta de registro.

Passo a passo do bloco IP

Para IPv6, o menor bloco típico alocado é um /32 ou /36, mais do que suficiente para qualquer provedor começar com planejamento de sub-redes /48 e /56 por cliente. Solicite junto com o ASN e configure o reverse DNS (ip6.arpa) delegado. Adotar IPv6 desde o início evita retrabalho e reduz a pressão sobre o IPv4.

Para IPv4, dada a exaustão, a via realista hoje é a transferência de blocos (mercado M&A do LACNIC) ou entrar na lista de espera para micro-alocações. Registre o route object de cada prefixo, defina o ROA no RPKI apontando o ASN de origem e só então peça ao upstream para liberar o anúncio. Sem ROA válido, redes que fazem ROV (Route Origin Validation) podem rejeitar seu prefixo.

Erros comuns e boas práticas

Anunciar prefixo sem criar o route object e o ROA é a causa número um de rota que 'some' em parte da internet. Outro erro frequente é desagregar demais o bloco: anuncie o agregado e evite espalhar dezenas de prefixos mais específicos sem necessidade, pois muitos operadores filtram anúncios menores que /24 em IPv4.

Mantenha os contatos do WHOIS atualizados e responda aos avisos de abuse — reputação de ASN influencia peering e mitigação de ataques. Por fim, teste o anúncio a partir de looking glasses públicos e do painel do seu upstream antes de colocar tráfego de cliente em produção.

O diferencial NuvoNetworks

A NuvoNetworks entrega o trânsito IP sobre backbone próprio com SLA garantido por multa e NOC 24/7, e no modelo broker apoia o provedor desde a solicitação do ASN e do bloco até o primeiro anúncio BGP em produção.

Perguntas frequentes

Preciso de registro na Anatel para pedir ASN?

Para operar como provedor de acesso, sim: o registro SCM na Anatel é o que habilita a atividade e sustenta a justificativa de numeração junto ao Registro.br e ao LACNIC.

Consigo IPv4 novo direto do LACNIC hoje?

Praticamente não. Com a exaustão, a via realista é transferência de blocos entre organizações ou micro-alocações por lista de espera. Já o IPv6 é alocado sem restrição de escassez.

O que é ROA e por que preciso configurar?

ROA é o registro no RPKI que autoriza um ASN a originar determinado prefixo. Sem ROA válido, redes que aplicam validação de origem podem descartar seu anúncio, deixando o bloco inalcançável para parte da internet.

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